Archive for the ‘ Exposições ’ Category

impressões da World Press Photo

Per-Anders Pettersson, Suécia – Getty Images, para a Stern

3º Prémio, “Assuntos Actuais” (fotografia singular)

Esther Yandakwa ( 9 anos de idade ) fuma um cigarro enquanto as suas amigas a ajudam a pentear-se, no centro de Kinshasa, na República Democrática do Congo.
Esther não tem casa e prostitui-se.
Dezenas de milhar de pequenos refugiados, órfãos de guerra e crianças abandonadas pelas suas famílias vivem nas ruas de Kinshasa e outras áreas urbanas do país.

Jan Grarup, Dinamarca – Politiken/Newsweek


2º Prémio, “Notícias em Geral” (fotografia singular)

Em Novembro de 2006, deslocados aguardam que lhes sejam distribuidos alimentos, perto da aldeia de Habile, no Chade. Ataques por parte da Janjaweed, uma milícia árabe supostamente apoiada pelo governo sudanês, alastraram desde Darfur, no Sudão, atravessando a fronteira até ao Chade. Cavaleiros da Janjaweed incendiaram as aldeias de agricultores negros em ambos os lados da fronteira, matando e violando os seus habitantes, segundo um modelo de violência étnica que têm seguido desde 2003.

Na conflituosa região africana dos Grandes Lagos, onde os cuidados de saúde em geral enfrentam grandes desafios, os recursos psiquiátricos são particularmente raros. Os traumatizados pela guerra têm de partilhar uma mão-cheia de hospitais psiquiátricos com várias outras vítimas de problemas mentais.
O hospital psiquiátrico de Kamenge em Bujumbura, no Burundi, é o único do país que trata pessoas com traumas de guerra. Recebe financiamento da Igreja, mas os pacientes têm de contribuir com dinheiro para medicamentos e comida.

1º Prémio, “Notícias em Destaque” (fotografia singular)

Um homem lava a fuligem do rosto no local da explosão de um oleoduto em Lagos, Nigéria.
Pelo menos 260 pessoas morreram após o oleoduto perfurado se ter incendiado. A perfuração tinha sido feita por ladrões para encher tanques de petróleo para revenda, e centenas de residentes na zona tinham ido ao local para apanhar em recipientes de plástico o combustível que se derramava.
Apesar de a Nigéria ser o oitavo exportador mundial de petróleo, a maioria da população vive em pobreza extrema.

Para que não esqueçamos

Isto de estar (mal) habituado a ter tudo à mão só porque se vive na capital do império…
Este ano, quem quiser ver a World Press Photo, tem até domingo para ir a Portimão. Hélàs!

A foto vencedora deste ano é do repórter fotográfico norte-americano Spencer Platt que, num artigo publicado na Visão da semana passada, nos deixa alguns tópicos para reflexão.

Qualquer boa foto deve contar uma história e ser universalmente compreendida pelas várias culturas. Platt chama a atenção para a dificuldade de – nos dias de hoje – as imagens fazerem as pessoas pensar; Não só pela facilidade com que hoje se faz um boneco, como também para a introdução do vídeo nos trabalhos de foto-reportagem.
E que devemos manter e alimentar a curiosidade pelo mundo.
Eu acrescentaria, a esperança na humanidade…

Fall of the Damned

Com visita guiada por Anísio Franco e José Alberto Seabra Carvalho, que nos oferecem uma descida ao Inferno, tema tão caro à administração desta casa…
Hoje às 18:00, no Museu Nacional de Arte Antiga

Óleo sobre madeira de carvalho
Proveniência conventual desconhecida

É a mais antiga representação autónoma do Inferno na pintura portuguesa. Obra misteriosa e inquietante, a sua iconografia incorpora, pelo menos, dois aspectos inovadores no contexto da arte portuguesa do início do século XVI. Por um lado, a evidência na representação da nudez feminina, bem exemplificada nos três corpos dependurados que devem simbolizar a Vaidade e a Soberba, ou no impositivo casal enlaçado que no primeiro plano, à direita, personifica a Luxúria. Por outro lado, o modo como se figura o entronizado regente desta infernal morada, um Lúcifer de rosto oculto por máscara, ceptro em forma de trompa e envergando toucado e fato de coloridas plumas, vestimenta que tem suscitado a hipótese de se tratar de um atributo de identidade ameríndia ou mesmo brasileira (o que possivelmente significaria encarar o recém-descoberto indígena sul-americano não como um “bom selvagem” mas como uma personificação do Mal).

A pintura recorre a um reportório medieval de referências teológicas cristãs, propondo uma imagem do Inferno como inventário de torturas incessantes, lugar de suplício e condenação eterna dos que incorrem nos Pecados Capitais, sem distinção do seu estado ou condição social. Para além dos já indicados, identificam-se ainda, do lado esquerdo da composição, as penas infligidas pela Avareza (o avarento é obrigado a engolir moedas, cruzados portugueses do reinado de D. Manuel) e as que respeitam à Gula, réprobo a quem um diabo, com aspecto de bode, obriga a ingerir vinho vertido de um odre em forma de porco. O exacto sentido moralizante de outros suplícios, na sua provável relação com os sete pecados capitais, é, porém, mais dubitativa. Assim sucede com um motivo central da representação, um grande caldeirão onde penam cinco pecadores, dois deles tonsurados, prefigurando possivelmente a Inveja. Neste caldeirão, que replica a forma circular da “boca” do inferno por onde caem os condenados, destaca-se um frade franciscano que parece aceitar melancolicamente o suplício, o único que nesta concentrada e tumultuosa composição surge indiferente ao diabólico vórtice, de trevas e chamas, que o rodeia.

A pintura só está documentada a partir de meados do século XIX, no acervo da Academia de Belas Artes de Lisboa proveniente da extinção dos conventos de frades, em 1834.

Cê Cê Berardo

Com a reserva que a palavra mágica BORLA AÍ encerra, cheguei somente por volta da meia-noite ao Centro Cultural de Belém para espreitar o Museu Colecção Berardo. Passei assim por cima do fogo de artifício e fui directo ao assunto

As duas obras de Picasso expostas, uma das quais Femme dans un Fauteuil Rouge, estão incompreensivelmente num corredor de passagem, propício a grande aglomeração de visitantes!
Gostei particularmente de Mulher Atacada por Pássaros, de André Masson

Fora de horas e com muita gente, os sete núcleos da Exposição são de um modo geral tão arejados que se pôde circular com grande liberdade. Cerca de duas horas em passo ligeiro foram suficientes para ter uma perspectiva global; Não é por isso recomendável tentar ver tudo de uma assentada, para evitar o cansaço.

No Iconographos estão publicados mais alguns registos.

«luminescências poéticas»

Na Livraria Caixotim, até ao fim do mês.

World Press Photo 06

Na Prisão de Maula em Lilongwe, Malawi, centenas de reclusos dormem amontoados no chão.
Estão tão apertados, que só se podem mexer quando um recluso designado para o efeito dá a ordem para se virarem todos ao mesmo tempo.

Faure Gnassingbe, filho do mais antigo ditador africano, Gnassingbe Eyadema, foi eleito presidente de Togo em Abril de 2005. Num autêntico golpe militar, o exército colocou-o no lugar do pai, após a morte deste em Fevereiro.
A oposição organizou um protesto minutos após a eleição e as ruas da capital Lome encheram-se de barricadas.
Os confrontos com as forças militares estão à vista.

A longa guerra-civil na Libéria e o tumulto político deram finalmente lugar a eleições em 2005 e a uma relativa estabilidade. Do conflito resultaram inválidos que representam cerca de 16% da população, entre os quais cerca de 77.000 cegos, consequência ou de sub-nutrição ou porque não foram tratados a tempo.

World Press Photo 2006 e Prémio Visão Fotojornalismo 2006, no Centro Cultural de Belém, até dia 22 de Outubro.

World Press Photo 06

Alassa Galisou, um bébé subnutrido, aperta os dedos contra os lábios do mãe, Fatou Ousseini, num Centro de alimentação de emergência para refugiados em Tahoua, no noroeste da Nigéria. Em 2004, uma das piores secas dos últimos tempos, associada a uma praga de gafanhotos destruiu as colheitas, deixou milhões de pessoas sem meios de subsistência.
As fortes chuvas prometeram boas colheitas para 2005, mas retardaram a chegada de auxílio. As Nações Unidas e o Ocidente foram acusados pela resposta tardia a esta
iminente crise humanitária . Apenas algumas semanas antes desta fotografia, tirada a 1 de Agosto de 2005, os líderes do G8 tinham decidido erradicar a pobreza em África, duplicando a ajuda até 2010.
Prémio World Press Photo 2005
Finbarr O’Reily (Canadá) – Agencia Reuters


Young Abu, de sete anos, abotoa a camisa do pai num abrigo para amputados, perto de Freetown, Serra Leoa.
Os braços de Abu Bakarr Kargbo foram cortados pelos rebeldes da Frente Unida Revolucionária, aquando do ataque à cidade em 1999.
Cerca de 50.000 pessoas foram mortas e milhares mutiladas na guerra civil entre o Governo e as forças rebeldes, entre 1991 e 2002.
Cortar mãos ou braços tornou-se a imagem de marca dos rebeldes, de modo a espalhar o terror entre os seus inimigos.
Em 2004 foi finalmente estabelecido um acordo de paz e constituido um tribunal de guerra.
Antigos combatentes de ambos os lados beneficiaram de programas de reintegração social, mas pouco foi feito pelos amputados.

Primeiro prémio de historias contemporâneas individuais – Yannis Kontos, Greece, Polaris Images

Mallam Galadima Ahamadu, que passeia a hiena Jamis nas ruas de Abuja, Nigéria, faz parte de um grupo que viaja pelo norte do país com três hienas, duas pitons e quatro macacos;
Trabalham como artistas e vendem ervas medicinais, muito procuradas.
As hienas – treinadas para atacar, o que atrai as multidões – são capturadas em estado selvagem e treinadas durante meses para interagir com os humanos e outros animais, sem os atacar.
Mallam e os seus companheiros alimentam as hienas com uma cabra em média cada três dias – o que ajuda a mantê-las calmas – e borrifa-as com água, pois estes animais não se dão bem com o calor excessivo.
Primeiro prémio de retratos individuais – Pieter Hugo, África do Sul, Corbis

Samar Hassan chora, segundos depois tropas dos EUA dispararem e matarem os seus pais, num incidente em Tal Afar, no norte do Iraque, em Janeiro de 2005.
Os soldados abriram fogo, depois do carro dirigido pelo pai de Samar não ter parado quando se aproximou da patrulha.
Na declaração do exército americano leu-se que as tropas tentaram parar o carro acenando com as mãos e efectuando tiros de advertência, antes de dispararem directamente para o carro, matando o motorista e o passageiro do banco da frente.
Cinco dos irmãos de Samar estavam no carro com ela: Os seis sobreviveram, embora o irmão Racan tivesse ficado gravemente ferido.
Os soldados de EUA prestaram os primeiros socorros às crianças antes de as levarem para o hospital mais próximo.
Segundo prémio na categoria foto-notícia – Chris-Hondros, USA, Getty-Images


Um urso polar come uma foca em cima de uma pequena ilha de gelo, perto do glaciar de Mónaco, na costa noroeste de Svalbard (Spitsbergen), Noruega.
Os ursos polares alimentam-se de focas
principalmente nos meses de verão, servindo-se dos pedaços de gelo que se separam das plataformas, para capturar as presas.
Sendo uma espécie potencialmente ameaçada, o urso-polar, protegido desde 1973 por fortes restrições à caça no Ártico, viu a sua população na região de Svalbard aumentar de 1000 para cerca de 3000.
Segundo prémio na categoria Natureza-singulares – Pål Hermansen, Noruega, para Orion Forlag-Getty Images.

World Press Photo 2006 e Prémio Visão Fotojornalismo 2006, no Centro Cultural de Belém, até dia 22 de Outubro.