Archive for February, 2008

A tua morte é sempre nova em mim.
Não amadurece. Não tem fim.
Se ergo os olhos dum livro, de repente
tu morreste.
Acordo, e tu morreste.
Sempre, cada dia, cada instante,
a tua morte é nova em mim,
sempre impossível.

E assim, até à noite final
Irás morrendo a cada instante
da vida que ficou fingindo vida.
Redescubro a tua morte como outros
descobrem o amor,
porque em cada lugar, cada momento,
tu estás viva.

Viverei até à hora derradeira a tu morte.
Aos goles, lentos goles. Como se fosse
cada vez um veneno novo.
Não é tanto a saudade que dói, mas o remorso.
O remorso de todo o perdido em nossa vida,
coisas de antes e depois, coisas de nunca,
palavras mudas para sempre, um gesto
que sem remédio jamais teve destino,
o olhar que procura e nunca tem resposta.

O único presente verdadeiro é teres partido.

excerto do poema A TUA MORTE EM MIM, de Adolfo Casais Monteiro

Depeche Mode – Personal Jesus

Soft Cell – Tainted Love

New Order – Blue Monday ’88

New Order – True Faith

Enlightenment

No final de Into The Wild, solta-se um UAU!
Sean Penn mostra brilhantemente o paradoxo do regresso do homem ao lado selvagem, em busca da sabedoria.
Agradeço à D a maravilhosa banda sonora e à Ana as palavras de Thoreau:

“I went into the woods because I wanted to live deliberately. I wanted to live deep and suck out all the marrow of life…to put to rout all that was not life; and not, when I came to die, discover that I had not lived.” Henry David Thoreau

Eddie Vedder – Guaranteed

On bended knee is no way to be free
Lifting up an empty cup, I ask silently
All my destinations will accept the one that’s me
So I can breathe…

Circles they grow and they swallow people whole
Half their lives they say goodnight to wives they’ll never know
A mind full of questions, and a teacher in my soul
And so it goes…

Don’t come closer or I’ll have to go
Holding me like gravity are places that pull
If ever there was someone to keep me at home
It would be you…

Everyone I come across, in cages they bought
They think of me and my wandering, but I’m never what they thought
I’ve got my indignation, but I’m pure in all my thoughts
I’m alive…

Wind in my hair, I feel part of everywhere
Underneath my being is a road that disappeared
Late at night I hear the trees, they’re singing with the dead
Overhead…

Leave it to me as I find a way to be
Consider me a satellite, forever orbiting
I knew all the rules, but the rules did not know me
Guaranteed

O que o homem faz para conquistar uma mulher… faz bem!

Hoje à tarde no Restaurante Terreiro do Paço, é apresentado o novo livro de Luís Machado “Um Homem na Cozinha – Seduções e Volúpias”, com prefácio de Mário Cláudio e ilustrações de Francisco Simões. A edição é da Parceria A.M.Pereira.
A tertúlia decorre com música e poesia e termina com uma degustação de vinhos e petiscos.
Humm… este livro cheira-me…!

“este é um livro em que se incentiva os homens a cozinhar para mulheres”

Com “Um Homem na Cozinha – Seduções e Volúpias”, o autor diz que gostaria que “a gastronomia sugerida contribuísse para atrair ao fogão aqueles que ainda imaginam a culinária como um território complexo e inacessível”. Cada capítulo deste livro é antecedido por citações de escritores e poetas.
Por exemplo, as sopas surgem apresentadas com uma citação de Ruy Belo, os ovos são evocados num poema de Teresa Rita Lopes, as massa por uma das “Tisanas”, de Ana Hatherly. As receitas, elas próprias, vêm identificadas com palavras que remetem para o universo cultural do autor.
Há “Bife Amarcord” (numa referência ao filme homónimo de Federico Fellini), há “Jardineira do desassossego (numa homenagem a Fernando Pessoa), só para citar alguns exemplos.
E porque o autor se preocupa com os neófitos da arte de cozinhar, encerra o livro com um conjunto de sugestões sobre o uso de ervas e especiarias, sobre o essencial a ter numa despensa e no frigorífico , sobre a arte de bem pôr uma mesa.