Archive for May, 2007

Não, não é o Keith Jarrett…

Mas a postura do jovem Júlio Resende sentado ao piano é uma espécie de reminiscência do Mestre. Acho até que ele faz um bocadinho por isso, mas enfim…
Gostei particularmente de dois temas seus, “The Alma” e “Deep Blue”; tocaram ainda o bonito tema Wise Up da lindíssima Aimee Mann.

A ouvir de novo este fim-de-semana, na 5ª Festa do Jazz do São Luiz.

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Irmandade

O Eduardo Jaime e eu partilhamos o seguinte: nascemos no mesmo dia, entrámos para a primeira classe no mesmo dia e entrámos juntos – faz hoje 25 anos – para a Força Aérea.
Por isso somos manos.
Ele continua o mesmo rapaz bem-parecido (um pouco mais robusto, como diz com bonomia) e eu, curiosamente, tenho o cabelo um pouco mais comprido que então…

souvenir pieux

Quando, sorrindo, vais passando, e toda
Essa gente te mira cobiçosa,
És bela – e se te não comparo a rosa,
É que a rosa, bem vês, passou de moda…

Anda-me às vezes a cabeca à roda,
Atrás de ti também, flor caprichosa!
Nem pode haver, na multidão ruidosa,
Coisa mais linda, mais absurda e doida.

Mas e na intimidade e no segredo,
Quando tu coras e sorris a medo,
Que me apraz ver-te e que te adoro, flor!

E não te quero nunca tanto (ouve isto)
Como quando por ti, por mim, por Cristo, Juras
– mentindo – que me tens amor…

Intimidade, de Antero de Quental
August Macke
– Dame in greuner Jacke, 1913

escapadelas improvisadas ( que raio de título para um post)

A partir de hoje e até final de Setembro, sempre às 5ªs, música da boa no CCB. A culpa de sair à noite a meio da semana é destes senhores.
O alibi para esta noite, encontra-se aqui.

o problema mente-corpo

PARA QUE SERVEM OS SENTIMENTOS

Poder-se-ia argumentar que as emoções sem sentimentos seriam mais do que suficientes para a regulação da vida e para a promoção da sobrevivência. Poder-se-ia argumentar que representar os resultados da emoção não seria de todo necessário para a sobrevivência. Porém, não é esse o caso. Na orquestração da sobrevivência é extremamente valioso ter sentimentos. As emoções são úteis em si mesmas, mas é o processo do sentir que alerta o organismo para o problema que a emoção começou a resolver. O processo simples de sentir começa por dar ao organismo o incentivo para se ocupar dos resultados da emoção (o sofrimento começa pelos sentimentos, embora seja realçado pelo conhecer, e o mesmo se pode dizer acerca da alegria). O sentir constitui, também, a pedra angular para a etapa seguinte – o sentimento de conhecer que sentimos. Por sua vez, o conhecer é a pedra angular para o processo de planeamento de respostas específicas e não estereotipadas que podem, quer complementar uma emoção, quer garantir que os ganhos imediatos obtidos pela emoção possam ser mantido ao longo do tempo. Por outras palavras, «sentir» os sentimentos prolonga o alcance da emoção, ao facilitar o planeamento de formas de resposta adaptativas, originais e feitas à medida da situação.
É altura de concluir com uma simples reflexão: conhecer um sentimento requer um sujeito conhecedor. Ao procurar uma boa razão para justificar a persistência da consciência ao longo da evolução, talvez se possa dizer que a consciência triunfou porque os organismos que a possuíam podiam «sentir» os seus sentimentos. Sugiro que os mecanismos que possibiltam a consciência prevaleceram porque conhecer as suas emoções foi coisa bem útil para os organismos de o fazer. E como a consciência persistiu como característica biológica, acabou por se tornar aplicável não apenas às emoções, mas também aos numerosos estímulos que as punham em acção. A consciência acabou por dar a conhecer toda uma gama de acontecimentos sensoriais.

Texto retirado do livro “O Sentimento de Si“, de António Damásio
desenho de Luis Royo

estou tentado a partilhar a indignação…

Mas o que gostava mesmo era que a minha cara MP falasse da questão em concreto!