Archive for March, 2007

non so che

Tenho andado arredado da bloga, por isso vou utilizando os filtros. Com surpresa constatei a nomeação do Luminescências para os BLOGUES PORTUGUESES DE CULTURA, integrado no 1º ENCONTRO NACIONAL DE BLOGUES DE CINEMA E DE CULTURA do FAMAFEST 2007 – IX Festival de Vídeo e Cinema de Famalicão.

Só por generosidade dos bloggers que votaram, obviamente. O que aqui publico, reflete unicamente a minha sensibilidade pessoal; Com algum despudor, diria que, episodicamente, partilho a minha visão estética sobre as coisas.

CeBIT 2007

Não sei quanto é que estes senhores investem para estar presentes na CeBIT todos os anos mas, a avaliar pela imagem, não é difícil perceber que não devem estar muito preocupados com os 5 milhões de euros que pagam ao arquitecto, só para conceber este fabuloso espaço .

E qual será para estes e estes senhores o retorno expectável do financiamento na promoção desta triste representação da “portuguese technology”?
Razão (antes de tempo) tem este senhor, quando diz que assim não vamos lá…

Paco de Lucia – Entre dos aguas (1976)

Pessoalmente, prefiro a versão acústica incluida na compilação Cafe del Mar, com acordes menos “acelerados” que esta. Bom fim de semana.

«luminescências poéticas»

Na Livraria Caixotim, até ao fim do mês.

Jon and Vangelis – I`ll Find My Way Home

You ask me where to begin
Am I so lost in my sin
You ask me where did I fall
I’ll say I can’t tell you when
But if my spirit is lost
How will I find what is near
Don’t question I’m not alone
Somehow I’ll find my way home

My sun shall rise in the east
So shall my heart be at peace
And if you’re asking me when
I’ll say it starts at the end
You know your will to be free
Is matched with love secretly
And talk will alter your prayer
Somehow you’ll find you are there

Your friend is close by your side
And speaks in far ancient tongue
A season’s wish will come true
All seasons begin with you
One world we all come from
One world we melt into one
Just hold my hand and we’re there
Somehow we’re going somewhere
Somehow we’re going somewhere

You ask me where to begin
Am I so lost in my sin
You ask me where did I fall
I’ll say I can’t tell you when
But if my spirit is strong
I know it can’t be long
No questions I’m not alone
Somehow I’ll find my way home…

Paula Rego – Vanitas

No centro do seu tríptico, de braços cruzados, entre retrato em majestade e realístico auto-retrato, Paula Rego preside à cerimónia da vida entre sono onde a morte se esquece e vida que de olhos bem abertos parece disposta a “matar a morte”, como Shakespeare ousou escrever. Como se a antiga panóplia das vanitas cristãs já não tivesse o poder de nos reenviar ao nosso antigo nada. É nas nossas mãos que está a folclórica foice, sem a sombra temerosa de Goya, rodeada de todos os brinquedos do nosso divertimento, indiferente ao Tempo e à sua música mortal. Como se esta humana assumpção da Morte encarnasse agora a universal indiferença com que a vivemos e já não fosse a musa suprema instalada no nosso coração no lugar de Deus, lembrando-o. Não é uma vanitas, máscara de Deus ou da sua ausência, por isso sumptuosa.
É a nossa, contemporânea-ascética, quase infantil. Talvez só agora nossa verdadeira morte. Quer dizer, vida sem transcendência.

Eduardo Lourenço

Tom Tom Club – Genius Of Love