Archive for August, 2006

Em busca da vitória

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Fear not, my friend


Fear not, dear friend, but freely live your days
Though lesser lives should suffer. Such am I,
A lesser life, that what is his of sky
Gladly would give for you, and what of praise.
Step, without trouble, down the sunlit ways.
We that have touched your raiment, are made whole
From all the selfish cankers of man’s soul,
And we would see you happy, dear, or die.
Therefore be brave, and therefore, dear, be free;
Try all things resolutely, till the best,
Out of all lesser betters, you shall find;
And we, who have learned greatness from you, we,
Your lovers, with a still, contented mind,
See you well anchored in some port of rest.

desconheço o autor

Um homem livre
Não temas, amigo. Talvez nunca tenhas tido a dimensão de como iluminaste os nossos dias; Não é um elogio, pois não se elogia um homem simples. Admira-se.
O sofrimento que nos privou da tua companhia, das tuas brincadeiras infantis, do cuidado paternal com que olhavas as nossas crianças à beira-mar… não te privou da tua liberdade.
Por isso estou certo que o teu espírito regressou à terra natal, para que aí continues, sempre, livre.
Hoje, quando estiver na praia, vou olhar para a linha que divide o mar do céu e sei que, do teu porto-de-abrigo, vais estar a acenar para nós.

O meu amigo Armando é o preto da foto tirada em Agosto de 2004, na nossa praia de sempre.
O último verão em que tivemos a sua companhia. Que descanse em paz.

Alma Ausente

Não te conhece o touro ou a figueira,
nem cavalos nem formigas de tua casa.
Não te conhece o menino ou a tarde,
porque tu morreste para sempre.

Não te conhece o lombo da pedra,
nem o cetim negro onde tu destroças.
Não te conhece tua lembrança muda
porque tu morreste para sempre.

O Outono chegará com búzios,
uva de névoa e montes agrupados,
mas ninguém quererá olhar teus olhos
porque tu morreste para sempre.

Porque tu morreste para sempre,
como todos os mortos que há na Terra,
como todos os mortos que se esquecem,
num monte enorme de cães apagados.

Não te conhece ninguém. Não. porém, eu canto-te.
Canto para depois teu perfil e tua graça.
A madurez insigne do teu conhecimento.
Teu apetite de morte e o gosto de sua boca.
A tristeza que teve tua valente alegria.

Tardará muito tempo a nascer, se nascer,
um andaluz tão claro, tão rico de aventura.
Canto sua elegância com palavras que gemem
e lembro uma brisa triste entre as oliveiras.

poema de Federico García Lorca, in Llanto por Ignacio Sánchez Mejías
gravura de Francisco Goya

Fica assim completa a série de quatro poemas dedicados a Ignacio Sánchez Mejías, bandarilheiro sevilhano: A Colhida e a Morte, O Sangue Derramado, Corpo Presente e Alma Ausente.

Inteligente e culto, Ignacio era entusiasta do cante hondo e da dança espanhola; Casado com a irmã do toureiro Joselito, manteve até à morte – em Agosto de 1934 – uma ligação amorosa com a célebre bailarina Encarnación López, La Argentinita, a quem García Lorca dedicou o Llanto.

o princípio da certeza


Em 1974 tinha treze anos. Do Prof. Marcello Caetano recordo pouca coisa. As Conversas em Família, que todos ouvíamos com atenção; Da sua dimensão como académico, obviamente, nada.
Dos momentos em que passou ao lado da tolerância, nem uma evidência! Sabia lá eu o que era o Regime!
Mas houve uma coisa que percebi desde então: Durante a sua humilhante saída do Largo do Carmo, com o povo aos gritos e a escarrar o blindado que o transportava, realizei que não tinha jeito para revolucionário e que não era filho daquela Revolução.

prenda minha

What do you represent?

Pois. Perdoará, cara MP, mas o terceiro aniversário do Eclético merece mais do que um mero piquenique nas Maldivas.
Convido-a para algo diferente: veja o vídeo, a partir daqui. Parabéns!

Postais de Portugal – Douro


Tarde pintada
Por não sei que pintor.
Nunca vi tanta cor
Tão colorida!
Se é de morte ou de vida,
Não é comigo.
Eu, simplesmente, digo
Que há tanta fantasia
Neste dia,
Que o mundo me parece
Vestido por ciganas adivinhas,
E que gosto de o ver, e me apetece
Ter folhas, como as vinhas.

Miguel Torga

desaparecimento trágico de um grande cubano

Ainda não consegui que alguém me explicasse porque foram retirados do mercado nacional os cigarros Cohiba.

O meu stock está a chegar ao fim!
Uma vez que não tenciono deixar de fumar, ando a experimentar as cigarrilhas Jose L Piedra, com um razoável binómio preço-qualidade.

Estou disposto a cantar os parabéns a Fidel Castro, se alguma alma caridosa sugerir uma solução para resolver este drama humano.
Em desepero de causa, equacionaria até a possibilidade de desejar as melhoras ao Comandante.

Ao ponto que pode chegar a dignidade de uma pessoa…!