Archive for March, 2006

Le Petit Prince – Antoine de Saint-Exupery

Chapitre XXIV

Nous en étions au huitième jour de ma panne dans le désert, et j’avais écouté l’histoire du marchand en buvant la dernière goutte de ma provision d’eau :
– Ah! dis-je au petit prince, ils sont bien jolis, tes souvenirs, mais je n’ai pas encore réparé mon avion, je n’ai plus rien à boire, et je serais heureux, moi aussi, si j pouvais marcher tout doucement vers une fontaine!
– Mon ami le renard, me dit-il…
– Mon petit bonhomme, il ne s’agit plus du renard!
– Pourquoi?
– Parce qu’on va mourrir de soif…

Il ne comprit pas mon raisonnement, il me répondit :
– C’est bien d’avoir eu un ami, même si l’on va mourrir. Moi, je suis bien content d’avoir eu un ami renard…

«Il ne mesure pas le danger, me dis-je. Il n’a jamais ni faim ni soif. Un peu de soleil lui suffit…»
Mais il me regarda et répondit à ma pensée:
– J’ai soif aussi… cherchons un puits..

J’eus un geste de lassitude: il est absurde de chercher un puits, au hasard, dans l’immensité du désert. Cependant nous nous mîmes en marche.
Quand nous eûmes marché, des heures, en silence, la nuit tomba, et les étoiles commencèrent des’éclairer. Je les apercevais comme dans un rêve, ayant un peu de fièvre, à cause de ma soif. Les mots du petit prince dansaient dans ma mémoire :
– Tu as donc soif aussi? lui demandai-je.

Mais il ne répondit pas à ma question. Il me dit simplement:
– L’eau put aussi être bon pour le coeur…

Je ne compris pas sa réponse mais je me tus… Je savais bien qu’il ne fallait pas l’interroger.
Il était fatigué. Il s’assit. Je m’assis au près de lui. Et, après un silence, il dit encore:
– Les étoiles sont belles, à cause d’une fleur que l’on ne voit pas…

Je répondis “bien sûr” et je regardai, sans parler, les plis du sable sous la lune.
– Le désert est beau, ajouta-t-il…

Et c’était vrai. J’ai toujours aimé le désert. On s’assoit sur une dune de sable. On ne voit rien. On n’entend rien. Et cependant quelque chose rayonne en silence…
– Ce qui embellit le désert, dit le petit prince, c’est qu’il cache un puits quelque part…

Je fus surpris de comprendre soudain ce mystérieux rayonnement du sable. Lorsque j’étais petit garçon j’habitais une maison ancienne, et la légende racontait qu’un trésor y était enfoui. Biensûr, jamais personne n’a su le découvrir, ni peut-être même ne l’a cherché. Mais il enchantait toute cette maison. Ma maison cachait un secret au fond de son coeur…
– Oui, dis-je au petit prince, qu’il s’agisse de la maison, des étoiles ou du désert, ce qui fait leur beauté est invisible!
– Je suis content, di-il, que tu sois d’accord avec mon renard.

Comme le petit prince s’endormait, je le pris dans mes bras, et me remis en route. J’étais ému. Il me semblait porter un trésor fragile. Il me semblait même qu’il n’y eût rien de plus fragile sur la Terre. Je regardais, à la lumière de la lune, ce front pâle. Ces yeux clos, ces mèches de cheveux qui tremblaient au vent, et je me disais: «ce que je vois là n’est qu’une écorce. Le plus important est invisible…»
Comme ses lèvres entr’ouvertes ébauchaient un demi-sourire je me dis encore : «Ce qui m’émeut si fort de ce petit prince endormi, c’est sa fidélité pour une fleur, c’est l’image dune rose qui rayonne en lui comme la flamme d’une lampe, même quand il dort…» Et je le devinai plus fragile encore. Il faut bien protéger les lampes: un coup de vent peut les éteindre…
Et, marchant ainsi, je découvris le puits au lever du jour.

A Filosofia e As Artes Liberais no início do Período Moderno

BONI NOMINIS ET FAMAE AUSPICI FAMIGERATISSIMO
S.[ANCTO] JOANNI NEPOMUCENO
PRAEFATAE AUGUSTISSIMAE IMPERATRICIS
REGNI
ET SUO PECULIARISSIMO PATRONO
SE SUOS SUA DEVOTISSIME COMMENDANS
LAPIDEAM HANC STATUAM STABILIS AFFECTUS ET PIETA{T}IS MONUMENTUM

celebração de um tempo dourado em tons de verde

Franck Muller Sporting 100 – O Verde do Leão


O mestre relojoeiro suíço Franck Muller é o autor do número mágico de 36 unidades desta série especial.

A caixa rectangular da linha Long Island em ouro verde, é uma obra do alquimista Muller:
Através de uma secreta equação química, baixou o índice de cobre, aumentou a proporção de prata, juntou-lhe 75% de ouro e o efeito obtido foi uma nova liga de metal de côr verde leão!

Os elementos do mostrador, em art déco, incluem a inscrição 1906-2006, o ano do Centenário do Sporting Clube de Portugal, uma janela para a data panorâmica e um submostrador para os segundos.

Os números, clássicos da série Long Island, são a preto com um filet verde.

O fundo contém a gravação do logotipo do Centenário e a numeração da série limitada de trinta e seis exemplares simboliza o número de títulos oficiais conquistados pela equipa de futebol sénior do Sporting.

Franck Muller ofereceu dois exemplares à
Comissão do Centenário: um para permanecer em exposição no Museu do Sporting Clube de Portugal e o outro que será leiloado entre os sócios.

O simbólico Relógio Franck Muller Sporting 100 tem disponíveis duas correias em pele de jacaré, uma preta e uma verde.

Para quem tiver muito tempo…

beijo na boca do sapo

Não escondo a simpatia que tenho pelo Barcelona, mas este ano abro uma excepção para desejar que Simão e Figo
– dois grandes sportinguistas
se encontrem na
Final da Liga dos Campeões.

Time sharing

Via Estrela Cansada, tomei uma decisão que talvez tenha estado sempre no meu subconsciente:

Terminar os meus dias longe do terceiro calhau, em Mare Tranquillitatis, a ouvir Albedo 0.39.

É certinho que com aquela modalidade que há agora dos registos na hora, não vou correr o risco de ser ultrapassado por alguém que se lembre de lançar uma OPA!

Se houver interessados, segue planta do local para selecção do lote de… terreno?!

Aqueduto da Águas Livres – na pista do Barroco



Marca imponente da entrada de Lisboa

A arcaria do Aqueduto das Águas Livres revela a obra notável de engenharia hidráulica que resistiu ao Terramoto de 1755 e demonstra o papel indispensável que o Aqueduto teve para a cidade.

Descobrir os seus trajectos e a história da sua construção, que demorou quase um século e se estende por cerca de 60 km , é a proposta do Museu da Água.

Das suas nascentes, na região de Carenque-Caneças, até à
Mãe de Água das Amoreiras são, respectivamente, o ponto de partida e de chegada do passeio A Rainha Refresca-se – na pista do Barroco.


A Rainha Refresca-se
Este percurso recria o espírito barroco e proporciona a visita a locais de grande beleza ao longo das nascentes, de Caneças ao Vale de Alcântara, refazendo o percurso pelo Aqueduto das Águas Livres que a família real, a corte e o povo faziam ao deslocar-se de Mafra a Queluz.
Estamos às portas do século das luzes, a época que privilegia a razão por excelência e coloca no auge o espírito barroco onde se assiste à procura do êxtase da grandiosidade, como se se quisesse criar impressão a todo o custo.
Dá-se início a uma consciência de que a grandiosidade das obras públicas são o melhor símbolo de prestígio para o poder vigente.
As galerias do Aqueduto assemelham-se mais às alas de um convento do que a simples condutas de água.
Os respiradouros, situados ao longo das extensas galerias, oferecem um espectáculo natural de luz minimalista.
São estes jogos de luz, ar, sombra, respiração e a nobreza da pedra que tocam a imaginação e levam-nos até à “Rainha Refresca-se”.


Caminhos da Água
Com a colaboração da Quinta da Regaleira e do Palácio de Queluz os visitantes são convidados a experimentar o elemento Água nas suas três dimensões.
Entre os segredos e rituais dos Pedreiros Livres, insondáveis mistérios da Ordem dos Templários ou na promessa antiga de um Quinto Império que falta cumprir em Portugal, revela-se a verdadeira dimensão da Água enquanto símbolo esotérico na Quinta da Regaleira.
Em nenhuma época como no período áureo de D. Pedro e D. Maria, ficou tão bem demonstrada a intima ligação dos interiores do Palácio de Queluz com os seus jardins. Estes, cuidadosamente organizados, serviam os novos objectivos, ganhando um carácter eminentemente lúdico, prevendo harmoniosas e diversificadas possibilidades de fruição dos seus espaços. Em todo o jardim, dominado por lagos e cascatas, os jogos de água marcavam presença no quotidiano de exterior, ganhando novas formas e cores de acordo com a iluminação e os objectivos. Aqui o visitante encontra o elemento água enquanto “divertissment”.
Por fim o visitante tem a possibilidade de, nas nascentes do Aqueduto das Águas Livres, experimentar a água como um valor moral. O visitante é convidado a, por alguns instantes, entrar no Espírito Barroco, onde se assiste à procura do êxtase, da grandiosidade teatral, pomposa, numa ostentação de manifesto poder.


Da Patriarcal ao Chafariz do Vinho
O Museu da Água em colaboração com o Chafariz do Vinho retomou um percurso que leva os visitantes pelas galerias subterrâneas da cidade, desde a Patriarcal (Príncipe Real) ao Chafariz do Vinho (Praça da Alegria). Este último foi recuperado e adaptado às suas novas funções de enoteca.

Percurso Pedestre – Do Aqueduto ao Palácio Marquês da Fronteira
Com início no Aqueduto das Águas Livres, à Calçada da Quintinha, o percurso pedestre até ao Palácio Marquês da Fronteira, a S. Domingos de Benfica pretende criar uma simbiose entre o Património Ecológico e o Património Histórico- Cultural.
Atravessando o majestoso Aqueduto das Águas Livres sobre o Vale de Alcântara, os visitantes poderão contemplar uma agradável panorâmica de Lisboa entrando de seguida no Parque Florestal de Monsanto que, quer pelo seu relevo, quer pela sua área florestal, apresenta-se como um dos últimos refúgios de Lisboa.
Antes de finalizar o percurso, os visitantes são ainda convidados a apreciar a Igreja de
S. Domingos de Benfica e o Palácio dos Marqueses de Fronteira.

Os Caminhos da Luz
Quando a Arte se inscreve na sua condição de matéria, tem a capacidade de reflectir momentos, acontecimentos e conjunturas que ocorrem num determinado tempo e num determinado espaço.
Neste âmbito, a construção do Aqueduto das Águas Livres é um marco na história e na arte do século XVIII e do espírito Barroco que o envolveu, talvez a maior oferenda da arte deste século, conseguindo aliar à matéria, o Espírito e a Inteligência Portuguesa da época que aí se manifestam de forma tão especial, através do que há de mais imaterial: A LUZ


Textos retirados daqui.
Post publicado também no Sétima Colina.

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Fantas Paolo

Com início esta semana e até 28 do próximo mês de Abril, decorre na Cinemateca a Retrospectiva Integral da obra de Pier Paolo Pasolini (1922-1975), acompanhada de um essencial Catálogo.

Simultaneamente e até 20 de Junho, poderemos ver no Espaço “39 Degraus” a Exposição de Fotografia Pasolini e o Evangelho Segundo Mateus.

Para mais detalhes deste verdadeiro acontecimento cinematográfico em Lisboa, consultar aqui o Programa.

Escritor (romancista, poeta, dramaturgo, ensaísta, polemista), figura pública e cineasta, Pasolini é uma das mais importantes figuras intelectuais da Itália na segunda metade do século XX. Quando abordou o cinema, já tinha quase quarenta anos e era um escritor consagrado.
Embora nunca tenha deixado de escrever e publicar, entre 1961 e 1975 a parte mais visível e comentada da sua obra foi sem dúvida o cinema. E este cinema, que compreende longas e curtas-metragens, ensaios, “apontamentos”, parábolas e obras destinadas ao grande público, segue um itinerário extremamente pessoal.
Pasolini começa por sacralizar o subproletariado nos seus dois primeiros filmes, ACCATTONE e MAMMA ROMA, nos quais há ecos longínquos do neo-realismo e que marcam a chegada do cinema moderno à Itália. Depois de uma fábula contemporânea, em que enterra as certezas do marxismo (UCCELLACCI E UCCELLINI) e de uma visão moderna e quase “política” do EVANGELHO SEGUNDO MATEUS, Pasolini parte “em busca dos povos perdidos”, como observou o crítico Adelio Ferrero: primeiro através da tragédia grega (ÉDIPO REI, MEDEIA), depois na chamada “Trilogia da Vida” (DECAMERON, OS CONTOS DE CANTERBURY e AS MIL E UMA NOITES), para chegar ao “presente enquanto horror” (SALÒ, precedido por outras duas parábolas modernas, TEOREMA e PORCILE).
Para Pasolini, o cinema nunca foi puro espectáculo, mesmo nos seus filmes de mais fácil acesso.
Como escreveu o seu biógrafo Enzo Siciliano: “Fez cinema ‘de poeta’, na acepção mais ampla mas também mais radical e pura da palavra: aquele que traz para o perímetro da visão o que estava fechado, o que não tinha nome e jazia sem ser visto; aquele que ao verbalizar mostra o que não tinha sido proferido.
Pasolini faz com que seja vista a realidade de uma vida autêntica em progressiva extinção, relegada a um passado impossível de encontrar e apartado da realidade do presente”.
O catálogo que acompanhará o Ciclo inclui textos de Pasolini e textos inéditos, ou inéditos em português, de autores italianos, franceses e portugueses.

Retirado do Programa de Março da Cinemateca