Archive for December, 2005

Inside Dakar

Na verdade, é mais Dakar inside Lisboa mas, seja como fôr, já tive a minha estreia.
Ouvir de perto o roncar dos motores destes TT na estrada, mesmo não sendo de terra..
Não importa..
Sentir a atmosfera duma prova destas, é uma emoção!

O acompanhamento começou em Monsanto, num dos inúmeros viadutos – ao longo da ligação até à primeira classificativa – que se encheram de milhares de pessoas para ver a caravana do Dakar.
À passagem de cada máquina – em especial as dos portugueses -, o pessoal levantava as bandeiras nacionais, aplaudia, ao que os concorrentes ocorrespondiam, acenando ou mostrando os cachecóis.

As fotos foram tiradas em andamento, o que me valeu um olhar nº 3 de um dos co-pilotos, durante o acompanhamento na A2..

Saída da Marginal e entrada na CREL

CREL, pouco antes da entrada na A5

Monsanto, a caminho da Ponte 25 de Abril

Na Ponte 25 de Abril

A2, na zona de Almada

A2, na zona de Palmela

A2, na zona de Setúbal

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Ó Sousa! Vê lá se fazes uma gracinha..

Hoje é um dia especial na mouraria, pois tem início em Lisboa a mítica aventura do Dakar!


Os meus favoritos são os Volkswagen larguinhos..
Naturalmente, se não puder ser o Sousa a ganhar, que seja o Sainz, pois também me gusta mucho!
Boa sorte a todos os portugueses envolvidos!

Adiamento

Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã…
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não…
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjectividade objectiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um eléctrico…
Esta espécie de alma…
Só depois de amanhã…
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-me para pensar amanhã no dia seguinte…
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos…
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã…
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro…

Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã…
Quando era criança o circo de domingo divertia-me toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância…
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático
Serão convocadas por um edital…
Mas por um edital de amanhã…
Hoje quero dormir, redigirei amanhã…
Por hoje, qual é o espectáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espectáculo…
Antes, não…
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei.
Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
Só depois de amanhã…
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã…
Sim, talvez só depois de amanhã…

O porvir…
Sim, o porvir…

Álvaro de Campos

Postais de Lisboa – Natal de 2005

Praça do Município

Câmara Municipal, com o Terreiro do Paço em fundo

Árvore de Natal, no Terreiro do Paço

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sorrisos amarelos

No dia de Natal, fizemos as nossas crianças mais felizes, em boa parte por via do fair trade:

Cerca de 80% dos brinquedos foram importados da China ou dos vizinhos asiáticos, muitas vezes fruto do trabalho escravo de crianças, que só conhecem brinquedos porque são elas que os fabricam.

Negar esta realidade não alivia o desconforto de saber que, oculto no sorriso das nossas crianças ao receber um presente, está muitas vezes um trabalho desumano.

A ameaça

Hoje, ser competititivo no mercado global é também saber tirar vantagens de qualquer forma de ameaça.
Daí ter alguma dificuldade em entender as queixas por parte de alguns dos nossos empreendedores, face à dificuldade em competir com os chineses;
Durante décadas – em lugar de modernizarem as suas indústrias – mais não fizeram do que escravizar mão-de-obra barata!

Defendem o proteccionismo, ao mesmo tempo que pretendem tornar-se competitivos no mercado global – deslocalizando a produção para os países de leste – com baixo custo… salarial!
E depois criticam os chineses…


Da Marca
Amarela

O facto de chineses e indianos representarem quase metade da população mundial, bem como a provável melhoria das suas condições de vida – fruto da entrada no mercado global – fará deles não só das maiores potências económicas, mas também… culturais?!
Conheço pouco da cultura chinesa, mas sei que eles já praticavam o comércio livre muito antes de os europeus se aventurarem nos mares da China.
Não creio, porém, que os chineses que invadem a Europa sejam os melhores veículos dessa cultura.
Na realidade, são os novos escravos do século XXI (a grande maioria trabalhou no dia de Natal).
Não têm vida social, não os vemos nos espaços culturais e de lazer…

Um exemplo: na CeBIT – Feira de Telecomunicações e TI de dimensão mundial, que se realiza em Hannover na Alemanha, das centenas de expositores asiáticos e chineses em particular, a maioria permanece no stand todo o santo dia; recebem os visitantes enquanto seguram uma tigela de arroz e um pacote de sumo…
Reflectem na actividade profissional a sua forma de estar na vida, que respeito.. mas não entendo.

Ho! Ho! Ho!

It’s Christmas in Heaven,
All the children sing,
It’s Christmas in Heaven,
Hark hark those church bells ring.
It’s Christmas in Heaven,
The snow falls from the sky…
But it’s nice and warm and everyone
looks smart and wears a tie.
It’s Christmas in Heaven,
There’s great films on TV…
`The Sound of Music’ twice an hour
And `Jaws’ I, II, and III.
There’s gifts for all the family,
There’s toiletries and trains…
There’s Sony Walkman Headphone sets
And the latest video games.
It’s Christmas it’s Christmas in Heaven!
Hip hip hip hip hip hooray!
Every single day,
Is Christmas day.

It’s Christmas it’s Christmas in Heaven!
Hip hip hip hip hip hooray!
Every single day,
It’s Christmas day.

Lyrics by Monty Phyton

King Kong 70 mm

A frase de Ann Darrow ( Naomi Watts) “as coisas boas não duram muito tempo” não se aplica a King Kong.

Este espectacular filme de aventuras de Peter Jackson – realizador da trilogia O Senhor dos Anéis – tem cerca de 3 horas; demasiado longo para a narrativa, dirão os críticos!

Mas, enquanto espectador, é um deslumbramento assistir às sequências deste remake do clássico de 1933.

A reconstituição da atmosfera de New York é notável. Os edifícios da época foram meticulosamente reproduzidos em computador. O Empire State Building, que serve de cenário à fuga impossível de Kong, foi reconstruido de forma perfeita.

I’m someone you can trust, I’m a film producer.

Ann Darrow, actriz de teatro desempregada, vítima da Depressão dos anos 30, revela a sua integridade ao rejeitar a possibilidade de trabalhar num cabaret; Conhece então o louco Carl Denham ( Jack Black) – realizador com uma paixão ilimitada pela sétima arte e de ambição desmesurada – que a convence a embarcar na aventura de se tornar actriz de cinema, num filme de acção e aventura.

Com apenas meia dúzias de páginas do guião para iniciar as filmagens, o manhoso Carl arrasta o escritor Jake Driscoll (Adrien Brody) na tortuosa viagem de barco, que os conduzirá à misteriosa Ilha das Caveiras.

A aventura

A aventura da equipa de filmagens começa logo que põem os pés em terra; uma tribo de gente de aspecto fantasmagórico torna Ann prisioneira e inicia o ritual da oferenda ao poderoso Kong, que a leva para a densa floresta.

Entre a frustrada tentativa de salvamento da bela Ann e o sentido de oportunidade de Carl para registar em película o desenrolar dos acontecimentos, vamos assistindo a espantosas sequências de acção.

Naquela ilha hostil, onde habitam criaturas estranhíssimas, desde dinossauros a aranhas e lagartos gigantes, os desfiladeiros ladeados por luxuriante vegetação servem de palco, por um lado, às perseguições de Kong por parte da equipa de filmagens e da tripulação do barco; por outro, eles próprios serão vítimas de perseguição por parte dos répteis, dominadores, no seu habitat natural.

Porém, o gigante Kong é de tal forma poderoso que vence qualquer inimigo, desferindo violentos golpes com uma mão, enquanto segura a frágil loira com a outra.

O inevitável

A loira deixa-se seduzir pelo olhar ternurento do gorila, e ele rende-se ao irresistível encanto daquela doce fêmea..

O escritor, que também se apaixonara pela actriz, consegue salvá-la e juntos correm em direcção ao mar que os há-de levar de regresso a casa.
A tripulação do barco, especialista em capturar animais selvagens, utiliza clorofórmio e põe Kong a dormir.

De volta aos palcos, o agora aclamado Carl exibe o gorila gigante a uma plateia circense, entre a estupefacção e o terror, com a visão daquele monstro.

A encenação do ritual do sacrifício da donzela enfurece o gigante Kong, que se liberta das correntes de aço e destroi o teatro.

The beast looked upon the face of beauty. Beauty stayed his hand, and from that moment he was as one dead.

Inicia então a busca da loira, destruindo tudo o que lhe aparece pela frente.
A viagem termina no topo do edifício mais alto de New York, onde o reeencontro derradeiro tem lugar.

Título original: King Kong
Realização: Peter Jackson
Intérpretes: Naomi Watts, Jack Black, Adrien Brody, Andy Serkis, Jamie Bell, Kyle Chandler, Lobo Chan, Thomas Kretschmann
Nova Zelândia/EUA, 2005

King Kong – 2005
King Kong – 1976
King Kong – 1933