Archive for November, 2005

Overdose de vida


Depois de uma grande molha a caminho do Coliseu de Lisboa, quando entrei na sala já as Amina estavam em palco.

Estas quatro meninas – de ar ingénuo – merecem pelo menos uma audição atenta!

Depois dos cds de promoção terem desaparecido algures em França, uma delas disse simpaticamente que podemos pesquisar na web a sua música e descarregar.. ( que ternurenta!)

A sonoridade do quarteto islandês, que também participou no esplendoroso concerto dos Sigur Rós, sugere inevitavelmente Björk. A descobrir.

Três anos depois, mais uma dose de ColdPlay, onde a primeira surpresa foi o aparecimento de Chris Martin em palco, para anunciar com imenso prazer os Goldfrapp para a primeira parte.

É um grande prazer ouvir X&Y num ambiente como o que se viveu no Pavilhão Atlântico.

Desde o lançamento de Parachutes 2000, a banda tem evoluído muito bem.

Hoje, músicas como Square One, Yellow, God Put a Smile Upon Your Face, The Scientist e Fix You, são do melhor pop-rock comercial que se ouve.

Alinhamento Goldfrapp – Train, No. One, U Never Know, Black Cherry, Ride a White Horse, Strict Machine e Ooh La La.

Alinhamento Coldplay – Square One, Politik, Yellow, Speed of Sound, God Put a Smile Upon Your Face, X&Y, How Do You See the World, White Shadows, The Scientist, Til Kingdom Come/Ring of Fire, Green Yes, Clocks, Talk, Swallowed in the Sea, In My Place e para terminar em grande, Fix You.

Só não acho muita graça ao facto de – numa banda profissional – o vocalista se enganar a meio de uma música e recomeçar do início.
Voltem, que estão perdoados!

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¡Carne, Celeste Carne de la Mujer!

¡Carne, celeste carne de la mujer! Arcilla
– dijo Hugo -, ambrosía más bien, ¡oh maravilla!,
la vida se soporta,
tan doliente y tan corta,
solamente por eso:
¡roce, mordisco o beso
en ese pan divino
para el cual nuestra sangre es nuestro vino!
En ella está la lira,
en ella está la rosa,
en ella está la ciencia armoniosa,
en ella se respira
el perfume vital de toda cosa.

Eva y Cipris concentran el misterio
del corazón del mundo.
Cuando el áureo Pegaso
en la victoria matinal se lanza
con el mágico ritmo de su paso
hacia la vida y hacia la esperanza,
si alza la crin y las narices hincha
y sobre las montañas pone el casco sonoro
y hacia la mar relincha,
y el espacio se llena
de un gran temblor de oro,
es que ha visto desnuda a Anadiomena.
Gloria, ¡oh Potente a quien las sombras temen!
¡Que las más blancas tórtolas te inmolen!
¡Pues por ti la floresta está en el polen
y el pensamiento en el sagrado semen!
Gloria, ¡oh Sublime que eres la existencia
por quien siempre hay futuros en el útero eterno!
¡Tu boca sabe al fruto del árbol de la Ciencia
y al torcer tus cabellos apagaste el infierno!

Inútil es el grito de la legión cobarde
del interés, inútil el progreso
yankee, si te desdeña.
Si el progreso es de fuego, por ti arde.
¡Toda lucha del hombre va a tu beso,
por ti se combate o se sueña!

Pues en ti existe Primavera para el triste,
labor gozosa para el fuerte,
néctar, Ánfora, dulzura amable.
¡Porque en ti existe
el placer de vivir hasta la muerte
ante la eternidad de lo probable!..

Poema de Rubén Darío
Gravura de Caesar van EverdingenFour Muses and Pegasus on Parnassus, c. 1650

Takk*, Sigur Rós

Hoje é um dia especial para mim.


Primeiro, porque é dia de culto.

O culto da melancólica sonoridade dos Sigur Rós, em concerto esgotado, no Coliseu de Lisboa.

Em segundo lugar, porque é absolutamente extraordinária a precisão do momento em que ocorre.

É como que, inconscientemente, aguardasse esta espécie de ritual iniciático há muito tempo – e, uma vez em estado de graça – à espera que eles descessem à terra, para meu deleite.

Em Setembro, quando o disco* foi editado e aqui fiz referência ao concerto da noite de hoje, o vocalista Jon Thor Birgisson revelava ao DN que o “interesse pela música e pela criação de sons por parte da banda inscreve-se entre certas frequências e certos campos. É entre esses campos que queremos experimentar e creio que o nosso som é bastante claro.”

Tenciono falar do concerto.. espero.. se conseguir encontrar as palavras..

*Obrigado.

a procissão das almas.. com som.. sem imagens..

Num tempo de grande profusão de música formatada, é purificador ouvir uma bizantice.
Tantos séculos! de cultura europeia não devem ser esquecidos.

De 1600 a 1830 – ano da construção do novo Estado grego -, muitos compositores vieram enriquecer de importantes obras o património musical da Igreja ortodoxa.
Viviam sobretudo nos mosteiros do Monte Athos, em Creta, onde trabalhavam como cantores nas igrejas do patriarcado de Constantinopla.
Por volta de 1730, a Igreja de Santo Constantino teve a sorte de ter como protopsalt (cantor principal) Petros Bérékétis, o maior compositor da idade de ouro da música Bizantina (século XVIII).
A existência deste compositor marcou – do ponto de vista da história musical e artística – a renascença do mundo grego, após quatro séculos de ocupação otomana, como grandiosamente sublinhou Delacroix em O Massacre de Chios.
Petros conseguiu uma brilhante fusão entre a tradição bizantina na música sacra dos séculos XIII e XIV com a então novel música de origem oriental.

Le Grand Chant Octotonal à la Vierge Marie, obra de grande envergadura e absolutamente única em toda a literatura musical bizantina, está destinada a ser interpretada durante a missa especial da “fraction du pain”.

As oito composições representam os oito modos da música bizantina; cada modo termina numa katrima, a improvisação melódica que serve de introdução ao modo seguinte:

1 – Sainte Vierge, Mère de Dieu (1er mode)
2 – Salut à toi qui es pleine de grace (2ème mode)
3 – Marie, le Seigneur est avec Toi (3ème mode)
4 – Tu es bénie entre toutes les femmes (4ème mode)
5 – Béni soit (1er mode plagal)
6 – Le fruit de tes entrailles (2ème mode plagal)
7 – Car tu as fait naître (mode dit ‘lourd’)
8 – Le Sauveur de nos âmes (4ème mode plagal)

Ensemble Théodore Vassilikos / Pétros Bérékétis
Duração: 58:10
Ano: 1982
Editora – Ocora C 558682 / distribuição – Harmonia Mundi

Amor vivo


Amar! mas dum amor que tenha vida…
Não sejam sempre tímidos arpejos,
Não sejam delírios e desejos
Duma doida cabeça escandecida…

Amor que viva e brilhe! luz fundida
Que penetre o meu ser – e não só beijos
Dados no ar – delírios e desejos –
Mas amor… dos amores que têm vida…

Sim, vivo e quente! e já a luz do dia
Não virá dissipá-lo nos meus braços,
Com névoa da vaga fantasia…

Nem murchará do Sol à chama erguida…
Pois que podem os astros dos espaços
Contra uns débeis amores… se têm vida?

Poema de Antero de Quental
Desenho de William BlakeO Vendaval dos Amantes, 1824-27

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Comboio e Natureza – I

O Projecto Comboio e Natureza – resultado de um protocolo de colaboração entre a CP-Comboios de Portugal e a Liga para a Protecção da Natureza – visa estimular a descoberta das áreas naturais do país como espaços de turismo, bem como a adopção de comportamentos ambientalmente sustentáveis, através de percursos terrestres em combinação com o uso da bicicleta.

Existem neste momento três rotas naturais:

Da Linha do Douro ao Parque do Douro Internacional, Entre o Mar e a Terra
De comboio a caminho do Sado
Da Linha Azul às Planícies de Castro Verde

En uno de los repliegues de ese terreno se ocultan los hondos tajos, las encrespadas gargantas, los imponentes cuchillos,
los erguidos esfayaderos, bajo los cuales, allá, en lo hondo, vive y corre el Duero.

D. Miguel de Unamuno, “Las Arribes del Duero”

No Nordeste Transmontano, os passeios pedestres e de bicicleta são o ponto de partida para descobrir a fronteira natural entre Portugal e Espanha.

Na primeira etapa, parte-se de comboio desde o Porto – pela margem do Douro, onde as quintas e os solares rodeados de vinhas, são molduras vivas na paisagem – até ao Pocinho.


A
segunda etapa, de bicicleta, tem três destinos possíveis: Miranda do Douro, Freixo de Espada à Cinta e Figueira de Castelo Rodrigo.

Os caminhos pedestres serão: entre Miranda do Douro e São João das Arribas; entre o Vale da Ribeira do Mosteiro a partir de Freixo de Espada à Cinta; o último, entre a Albufeira de Santa Maria de Aguiar e Santo André das Arribas.

O Vale do Douro, com as suas arribas rochosas, é muito rico em flora e fauna. Os quatro concelhos assinalados no mapa representam 86 mil hectares e incluem nos seus limites 44 povoações, num total aproximado de 30 mil habitantes.

A actividade agrária constitui a parte em que o homem participa – com os amendoais, os olivais, as vinhas e as searas – no desenho da paisagem.
O património cultural é ainda enriquecido com o artesanato e o dialecto mirandês.

Da comunidade de aves , têm aqui o seu habitat: a cegonha preta, o grifo, a águia-real, o milhafre-real e o abutre do Egipto; Alimentam-se nos campos de cereal, nos lameiros, nos soutos, nos carvalhais, nas vinhas e nos bosques de azinheira, em duas unidades ecológicas distintas: as arribas e as planícies.

As caminhadas – calmas, como convém – requerem apenas um par de botas e uma bicicleta apropriadas.
Acessórios como binóculos e/ou máquina fotográfica são essenciais, também.

Festa da música – Guimarães Jazz 2005

No Grande Auditório da Universidade – com acústica renovada, segundo um amigo – e para quem tenha oportunidade, a não perder:

Amanhã – Art Ensemble Of Chicago

O programa completo pode ser consultado aqui.

Via Improvisos Ao Sul