Archive for June, 2005

Há mais de meia hora…

Há mais de meia hora
Que estou sentado à secretária
Com o único intuito
De olhar para ela.
(Estes versos estão fora do meu ritmo.
Eu também estou fora do meu ritmo.)
Tinteiro grande à frente.
Canetas com aparos novos à frente.
Mais para cá papel muito limpo.
Ao lado esquerdo um volume da “Enciclopédia Britânica”.
Ao lado direito –
Ah, ao lado direito
A faca de papel com que ontem
Não tive paciência para abrir completamente
O livro que me interessava e não lerei.

Quem pudesse sintonizar tudo isto!

Álvaro de Campos

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A água do bébé

O local do banho.
Prepare, antecipadamente, um sabão neutro (os sais de banho só devem ser utilizados numa fase mais avançada), uma toalhinha ou toalhão de um turco, agradável ao toque..
É essencial escolher roupinhas macias, preferencialmente de seda.

A banheira (hidromassagem não é recomendada para o efeito), deve estar limpa e a água sensivelmente à temperatura do corpo..
Pegue no bébé (preferencialmente ao colinho) e deite-o suavemente na banheira, sem mergulhar a cabeça. Molhe primeiro a carinha (sem o sabão) e em seguida o resto do corpinho.
O braço esquerdo deve servir de apoio para a cabecinha, de modo a deixar a sua mão direita livre para lavar o bébé.
Ao passo que o bébé se sente mais à vontade, deixe-o libertar-se na água, ficando assim a mão esquerda livre para rodar o corpinho..

Ao retirá-lo da água, envolva-o no toalhão.
Deve ter um especial cuidado em secar bem as dobrinhas e o umbigo.
Em lugar do tradicional talco, utilize um óleo amaciador, à venda nas boas perfumarias. Não receie aconselhar-se com uma especialista em cosmética.
Vista o bébé com as roupinhas macias e arejadas..

E prepare-se para uma noite de contemplação!
Há coisa mais ternurenta que ver um bébé a dormir?!

The good guys are back in town

Vindo pelo Marquês, o caminho é sempre a descer.. em direcção ao rio.
Chegando aos Restauradores, há ali uma coisa do lado esquerdo que dá pelo nome de Hard Rock Cafe..
Enfia-se pela rua abaixo, vira-se à direita.. e chega-se ao Coliseu.
A cena passa-se a partir das 21:30.

Pat Metheny Group – The Way Up

Até aqui, nada de novo..
É até capaz de ser muito previsível, o concerto desta noite. Pela competência, entenda-se.. pois a magia dos concertos ao vivo reside no improviso; e este gajo é mesmo bom nisso!
Afinal de contas, é a quarta ou quinta vez que vejo este virtuoso guitarrista, que admiro há mais de vinte anos!
Mas é sempre um prazer renovado ver Pat Metheny na guitarra e Lyle Mays no piano.

Então vamos a isso..

enterrar os mortos e cuidar dos vivos


O povo, convencido que enfrentava o Dia do Juízo – instruído por alguns sacerdotes que defendiam que esta tragédia fôra um castigo de Deus – cultivava a piedade, caminhava pelas ruas empunhando cruxifixos e cuidava os moribundos que se amontoavam um pouco por toda a parte… e que pediam misericórdia.


Os trabalhos relativos à identificação dos proprietários das agora ruínas foi muito complicado, pois poucas pessoas detinham registos de propriedade.
O Marquês de Pombal, Ministro do Rei D. José, depois da firmeza demonstrada ao não hesitar enforcar os responsáveis pelas múltiplas pilhagens que se sucederam naquele caos, tratou de se rodear de homens como Manuel da Maia e Carlos Mardel – responsável, entre outras grandes obras, pelo esboço do Terreiro do Paço.


Iniciava-se a construção da Baixa Moderna, de ruas largas e dotadas de redes de esgotos.

Vício: leitura cinematográfica

O segredo da fórmula está na generosidade interessada de Frank Miller, ao emprestar a Robert Rodriguez as pranchas como guião para a melhor adaptação de uma obra de bd ao cinema, Sin City – A Cidade do Pecado!

Et pour cause, é desnecessária – indesejável até, a comparação com obras como Superman, Batman, Spiderman, Hulk..

Quem é que quer saber se as personagens têm ou não densidade?!


Alguém está interessado em deslindar – na cena inicial – porque a bela mulher é tão depressa seduzida, quão rápida e brutalmente é assassinada a sangue-frio?!




Sim, João! O amor tem um preço!

A decadência é uma inevitabilidade

Nunca se pensa que mais cedo ou mais tarde terá de acontecer!
Verdadeiramente, alimentamos a ilusão de que esse dia nunca chegará!
Mas o processo é irreversível.
E, finalmente, chega o dia em que trágica e inevitavelmente.. somos ultrapassados pelo acontecimentos!

Para mim, chegou ontem.

Ao fim de uns imberbes treze anos de vida.. O pai mai lindo passou à história:

Desculpa lá, mas o Brad Pitt é melhor que tu!

– Não é isso que está em questão! – penso eu em desespero de causa!

Mas nem vale a pena argumentar que o fulano segura na perna da senhora como de um presunto se tratasse.. ou que (em Snatch) representa o retrocesso do Darwinismo!
Ou mesmo que o ar abichanado (em Troy) não dá curriculum a ninguém!

Não há volta a dar.

Once in a lifetime..


The Dust and Ion Tails of Comet Hale-Bopp

Ao longo da nossa curta passagem, por vezes surge a rara experiência de ser trespassado por moléculas de gás ionizadas – e que comportam um brilho tão intenso, que a sua luz permanece para toda a eternidade.
Viajar na poeira cósmica trazida pelos ventos solares deve ser uma viagem e tanto..!
Não deve é dar muita saúde!

The Senior Citizen
– Do you see the comet?
– Oh, my. Yes.
Pause. Now I can die.

The Little Girl
– Do you see the comet?
– Wow. Wow. WOW!
She beams.
– You see it!?
– No.

The Family Man
– It’s been 5 minutes already, can’t you find the damn thing?
– Please be patient. I should have it shortly.
– Listen, just get any old thing and we’ll tell the kids its the comet.

The Opportunist
– That fuzzy splotch? I was hoping to see something more dramatic.
– Sorry, there is no tail visible. If you want to stay later, I’ll show some objects that you may find more visually interesting.
– Nah. I have to go.

The Little Boy
– Wow. This looks like a big gun.
– It’s a telescope. In some ways it’s more powerful than a gun. Do you see the comet?
– Yeah. Can we shoot it down?

The Business Man
– How much is that telescope worth?
– I don’t know. At least ten grand.
– Yeah? How much is the comet worth?
– It’s priceless.
– No. Really. How much?

Pause.
– How much do you have?