36 minutos e 24 segundos de prazer… May 30, 2007
Posted by António Branco Almeida in perscrutando o infinito....add a comment
É verdade. Não se pode conhecer tudo…
Lang Lang foi-me apresentado por um amigo, a propósito do recente concerto com a Orquestra Gulbenkian. Tenho por isso dedicado os últimos dias a descobrir este pianista chinês de 24 anos, de facto um virtuoso e um intérprete brilhante.
O belamente sombrio Concerto nº 2 para Piano de Rachmaninoff adquire com esta interpretação de Lang Lang uma dimensão superior.
A vontade de comparar a cerca de meia-hora desta obra à língua na boca que nos faz descobrir o corpo inteiro é… languidamente irresistível!
Purpurina May 28, 2007
Posted by António Branco Almeida in Jacarandás, Postais de Lisboa.add a comment
Tenho o nome de uma flor
quando me chamas.
Quando me tocas,
nem eu sei
se sou água, rapariga,
ou algum pomar que atravessei.
Eugénio de Andrade
sem fuga possível, deixa-te ir na corrente… May 25, 2007
Posted by António Branco Almeida in Fotografia, Poesia.add a comment
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
Mário Cesariny
a menina desaparecida May 22, 2007
Posted by António Branco Almeida in Uncategorized.add a comment
Temos lido muitas opiniões sobre o caso da pequenina desaparecida no Algarve, em grande número indignadas com a excessiva mediatização deste processo face a vários outros que nunca adquiriram o mesmo relevo neste mundo global (chegamos ao absurdo de ver jornalistas a entrevistar colegas de profissão sobre o tema).
O mundo das oportunidades não é igual para todos em quase tudo na vida e os pais da menina agarraram-se com todas as suas forças ao poder dos media para tentar encontrar a filha. Qualquer de nós, se tivesse essa possibilidade, faria exactamente o mesmo se perdesse um filho nestas terríveis circunstâncias.
Também é verdade que as não-notícias vão perdendo impacto e gradualmente a esperança vai sendo menor. É até provável que à menina possa já ter acontecido algo de inimaginável para quem, de forma natural, tenha adquirido simpatia pela causa, ainda que o principal motivo seja a difusão até à exaustão de imagens da menina…
Já foi vista em Marrocos, na Grécia e sabe-se lá onde mais… mas infelizmente a pequenita não é a imagem de Nossa Senhora de Fátima que aparece só porque as pessoas acreditam muito!
Sem a fé dos pais da Maddie neste momento, digo, do fundo do coração, que a melhor prenda de aniversário que hoje poderia receber seria ver uma imagem da menina, viva. Seria uma prenda para dividir, pelo que significa de esperança – que devemos manter – e pela possibilidade de explicar às nossas crianças porque podem acreditar no ser humano.
amor impúdico May 20, 2007
Posted by António Branco Almeida in Camões, Pintura.add a comment
E que mimoso choro que soava!
Que afagos tão suaves, que ira honesta,
Que em risinhos alegres se tornava!
O que mais passam na manhã, e na sesta,
Que Vénus com prazeres inflamava,
Melhor é experimentá-lo que julgá-lo,
Mas julgue-o quem não pode experimentá-lo.
Luis Vaz de Camões – Os Lusíadas, Canto IX – 83
A swallow carrying a coconut? May 15, 2007
Posted by António Branco Almeida in Monty Python, filmes da minha vida.add a comment
[opening music]
[wind]
[clop clop clop]
KING ARTHUR:
Whoa there!
[clop clop clop]
SOLDIER : Halt! Who goes there?
ARTHUR: It is I, Arthur, son of Uther Pendragon, from the castle of Camelot. King of the Britons, defeater of the Saxons, Sovereign of all England!
SOLDIER : Pull the other one!
ARTHUR: I am,… and this is my trusty servant Patsy.
We have ridden the length and breadth of the land in search of knights who will join me in my court at Camelot. I must speak with your lord and master.
SOLDIER : What? Ridden on a horse?
ARTHUR: Yes!
SOLDIER : You’re using coconuts!
ARTHUR: What?
SOLDIER : You’ve got two empty halves of coconut and you’re bangin’ ‘em together.
ARTHUR: So? We have ridden since the snows of winter covered this land, through the kingdom of Mercia, through.
SOLDIER: Where’d you get the coconuts?
ARTHUR: We found them.
SOLDIER : Found them? In Mercia? The coconut’s tropical!
ARTHUR: What do you mean?
SOLDIER : Well, this is a temperate zone.
ARTHUR: The swallow may fly south with the sun or the house martin or the plover may seek warmer climes in winter, yet these are not strangers to our land?
SOLDIER : Are you suggesting coconuts migrate?
ARTHUR: Not at all. They could be carried.
SOLDIER : What? A swallow carrying a coconut?
ARTHUR: It could grip it by the husk!
SOLDIER : It’s not a question of where he grips it! It’s a simple question of weight ratios! A five ounce bird could not carry a one pound coconut.
ARTHUR: Well, it doesn’t matter. Will you go and tell your master that Arthur from the Court of Camelot is here?
SOLDIER : Listen. In order to maintain air-speed velocity, a swallow needs to beat its wings forty-three times every second, right?
ARTHUR: Please!
SOLDIER : Am I right?
ARTHUR: I’m not interested!
SOLDIER : It could be carried by an African swallow!
SOLDIER : Oh, yeah, an African swallow maybe, but not a European swallow. That’s my point.
SOLDIER: Oh, yeah, I agree with that.
ARTHUR: Will you ask your master if he wants to join my court at Camelot?!
SOLDIER : But then of course a African swallows are non-migratory.
SOLDIER : Oh, yeah.
SOLDIER : So, they couldn’t bring a coconut back anyway.
[clop clop clop]
SOLDIER : Wait a minute! Supposing two swallows carried it together?
SOLDIER : No, they’d have to have it on a line.
SOLDIER : Well, simple! They’d just use a strand of creeper!
SOLDIER : What, held under the dorsal guiding feathers?
SOLDIER : Well, why not?
Monty Python and the Holy Grail, 1975
Multiculturalismo May 14, 2007
Posted by António Branco Almeida in Música.add a comment
Só os grandes homens conseguem ser assim humildes.
Dentro de algumas semanas teremos novamente a visita de Philip Glass. Não há orçamento que aguente, livra!!!
Não, não é o Keith Jarrett… May 11, 2007
Posted by António Branco Almeida in Jazz.add a comment
Mas a postura do jovem Júlio Resende sentado ao piano é uma espécie de reminiscência do Mestre. Acho até que ele faz um bocadinho por isso, mas enfim…
Gostei particularmente de dois temas seus, “The Alma” e “Deep Blue”; tocaram ainda o bonito tema Wise Up da lindíssima Aimee Mann.
A ouvir de novo este fim-de-semana, na 5ª Festa do Jazz do São Luiz.
Irmandade May 10, 2007
Posted by António Branco Almeida in Efeméride.add a comment
O Eduardo Jaime e eu partilhamos o seguinte: nascemos no mesmo dia, entrámos para a primeira classe no mesmo dia e entrámos juntos – faz hoje 25 anos – para a Força Aérea.
Por isso somos manos.
Ele continua o mesmo rapaz bem-parecido (um pouco mais robusto, como diz com bonomia) e eu, curiosamente, tenho o cabelo um pouco mais comprido que então…
souvenir pieux May 4, 2007
Posted by António Branco Almeida in Antero de Quental, August Macke, Pintura, Poesia.add a comment
Quando, sorrindo, vais passando, e toda
Essa gente te mira cobiçosa,
És bela – e se te não comparo a rosa,
É que a rosa, bem vês, passou de moda…
Anda-me às vezes a cabeca à roda,
Atrás de ti também, flor caprichosa!
Nem pode haver, na multidão ruidosa,
Coisa mais linda, mais absurda e doida.
Mas e na intimidade e no segredo,
Quando tu coras e sorris a medo,
Que me apraz ver-te e que te adoro, flor!
E não te quero nunca tanto (ouve isto)
Como quando por ti, por mim, por Cristo, Juras
- mentindo – que me tens amor…
Intimidade, de Antero de Quental
August Macke – Dame in greuner Jacke, 1913










