Como desenhar um sonho February 27, 2007
Posted by António Branco Almeida in Banda Desenhada.add a comment
“… Atravessava uma séria crise e os meus sonhos eram quase todos em tons de branco. E eram muito angustiantes. Recordo um em que me encontrava numa espécie de torre constituída por rampas sucessivas. Folhas mortas caíam e cobriam tudo. A dada altura, numa espécie de alcova de uma brancura imaculada, aparecia um esqueleto todo branco que tentava apanhar-me. E nesse instante, à minha volta, o mundo tornou-se branco, branco. E eu punha-me em fuga, uma fuga desvairada…”

“Eu utilizo a lógica do sonho ou a sua aparente falta de lógica. Os sonhos são vagos e de tal modo fluidos que é difícil desenhá-los; quando lhes queremos dar forma, esta torna-se difusa. Para isso, é necessário reconstrui-los.”
“Entretiens avec Hergé”, de Numa Sadoul – Editions Casterman, 1958
Mon rêve? Célébrer le centenaire de la naissance de Hergé a Bruxelles au 22 Mai, aussi le jour de mon anniversaire. Allez!
ânsia desmedida de mudez February 26, 2007
Posted by António Branco Almeida in Pintura, Poesia.add a comment
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.
Eugénio de Andrade
Cadáver adiado, ou o direito a morrer a própria morte February 25, 2007
Posted by António Branco Almeida in Mundo Pessoa, Pintura.add a comment
Uma maior solidão
Lentamente se aproxima
Do meu triste coração.
Enevoa-se-me o ser
Como um olhar a cegar,
A cegar, a escurecer.
Jazo-me sem nexo, ou fim…
Tanto nada quis de nada,
Que hoje nada o quer de mim.
Fernando Pessoa
Vem (Além de toda a solidão) February 20, 2007
Posted by António Branco Almeida in Música.add a comment
a puta da subjectividade February 19, 2007
Posted by António Branco Almeida in Mundo Pessoa, Pintura.add a comment
Afinal sempre é verdade que os deuses menores também podem cair da nuvem…
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,
E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.
Fernando Pessoa
Canal Memória – 1994 February 16, 2007
Posted by António Branco Almeida in YouTube.add a comment
Pink Floyd – Wish You Were Here
So, so you think you can tell Heaven from Hell,
blue skies from pain.
Can you tell a green field from a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?
And did they get you to trade your heroes for ghosts?
Hot ashes for trees?
Hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change?
And did you exchange a walk on part in the war for a lead role in a cage?
How I wish, how I wish you were here.
We’re just two lost souls swimming in a fish bowl, year after year,
Running over the same old ground.
What have we found? The same old fears.
Wish you were here.
Harmonia entre o belo e o grotesco February 14, 2007
Posted by António Branco Almeida in Pintura, Poesia.add a comment
Sur la rive du désespoir et de l’oubli
Un vieux manoir surgi au fond de nulle part
Dans un écrin lugubre où règne la magie.
Mes larmes ont usé les pierres du chemin,
Mes cris ont lézardé les puissantes murailles
La colère nourrit chacun de ces matins
Où l’âme emplie d’amour livre et perd la bataille.
Sombres couloirs bordés de vivants candélabres
Visages de granit aux inhumains regards,
Tout évoque l’enfer dans ce château macabre
Qui emmure mon cœur de ses épais remparts.
Vieux promeneur perdu dans la brume ennemie,
Tu peux te reposer quelques menus instants
J’entrouve sous tes pas mon royaume maudit
Qui dort dans un linceul, oublié des vivants.
Poema de Bernard Sellier, inspirado no filme La Belle ou la Bête, de Jean Cocteau
ligações perigosas – casos da vida real February 9, 2007
Posted by António Branco Almeida in Iluminuras medievais.add a comment











