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ressuscitar, nas ondas do mar January 29, 2007

Posted by António Branco Almeida in Fotografia, Miguel Torga, Poesia.
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Ao Mar

Água, sal e vontade – a vida!
Azul – a cor do céu e da inocência.
Um lenço a colorir a despedida
Da galera da ausência…

Mar tenebroso!
Mar fechado e rugoso
Sobre um casto jardim adormecido!
Mar de medusas que ninguém semeia,
Criadas com mistério e com areia,
Perfeitas de beleza e de sentido!

Vem a sede da terra e não se acalma!
Vem a força do mundo e não te doma!
Impenitente e funda, a tua alma
Guarda-se no cristal duma redoma.

Guarda-se purificada em leve espuma,
Renda da sua túnica de linho.
Guarda-se aberta em sol, sagrada em bruma,
Sem amor, sem ternura e sem caminho.

O navio do sonho foi ao fundo,
E o capitão, despido, jaz ao leme,
Branco nos ossos descarnados;
Uma alga no peito, a flor do mundo,
Uma fibra de amor que vive e treme
De ouvir segredos vãos, petrificados.

Uma ilusão enfuna e enxuga a vela,
Uma desilusão a rasga e molha;
Morta a magia que pintava a tela,
O mesmo olhar de há pouco já não olha.

Na órbita vazia um cego ouriço
Pica o silêncio leve que perpassa…
Pica o novo feitiço
Que nasce do final de uma desgraça.

Mas nem corais, nem polvos, nem quimeras
Sobem à tona das marés…
O navio encalhado e as suas eras
Lá permanecem a milhentos pés.

Soterrados em verde, negro e vago,
Nenhum sol os aquece.
Habitantes do lago
Do esquecimento, só a sombra os tece…

Ela que és tu, anónimo oceano,
Coração ciumento e namorado!
Ela que és tu, arfar viril e plano,
Largo como um abraço descuidado!

Tu, mar fechado, aberto e descoberto
Com bússolas e gritos de gajeiro!
Tu, mar salgado, lírico, coberto
De lágrimas, iodo e nevoeiro!

Miguel Torga

Íntimas ligações implicam envolvimento afectivo January 26, 2007

Posted by António Branco Almeida in Jazz.
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O sax alto Lee Konitz, que tive oportunidade de ouvir em Março de 2006 na Culturgest, como bem notou o Nuno do A Forma do Jazz, convidou um dos mais virtuosos pianistas da actualidade, Brad Mehldau (a cujo concerto de anteontem no CCB não tive possibilidade assistir – ao que parece – o público terá correspondido melhor que em Fevereiro de 2006, pois Mehldau é um músico extraordinário e merece as melhores plateias) e também o contrabaixo Charlie Haden (que salvo erro em 1990 no Coliseu dialogou com Mestre Carlos Paredes), juntaram-se em 1997 e 1999 para dois concertos, de que resultaram Alone Together e Another Shade of Blue.

Ouvir estes três discos é um puro exercício de comunhão espiritual. Sem exagero, pois não há música mais livre que o jazz.

Nomeações para os Óscares January 24, 2007

Posted by António Branco Almeida in Cinema.
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Este ano, aqui o laureado António decidiu não publicar fotos das candidatas a melhor actriz principal; Só se fosse a Raimunda, mas com um nome destes… o melhor é despachar isto e entregar a coroa a Sua majestade, que merece ser rainha por uma noite!

Relativamente à escolha para actor principal, a tarefa está facilitada, pois nesta sala não se penduram posters de gajos; E como não vi nenhum dos filmes pelos quais os senhores estão nomeados, não tenho candidato. Talvez seja o ano de sorte deste rapaz que, já em The Departed – Entre Inimigos mostrou estar muito crescido como actor.

Mark Wahlberg, nomeado precisamente por The Departed – Entre Inimigos para melhor actor secundário (que aconteceu ao génio?), não deve ofuscar o excelente Alan Arkin em Little Miss Sunshine – Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos – uma agradabilíssima surpresa nas nomeações para melhor filme, esta genial comédia!

Com uma concorrência destas, seria pedir demais ver a menina Olive receber o prémio para melhor actriz secundária! Por isso, para não haver reclamações, o boneco deve ir para a Amélia!
Um boneco que também fica (muito) bem entregue é o de melhor filme a The Departed. E não é por ser um filme grande…
O Apocalypto não foi nomeado para melhor filme em língua estrangeira? Estranho.

And the Oscar for Best Director goes to… ….!

Nominalmente January 22, 2007

Posted by António Branco Almeida in Fotografia, Poesia.
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Este cais onde nominalmente a corda foi deslocada

fazia-me pensar que eu dissera a uma das vozes
que era uma junção. Mas vi partir à mesma distância
quilha, proa e centro. Começou o afastamento.
Aperfeiçoo as imagens que distinguem os lugares.
Água dispersiva, equidistância do sol, ambivalência
das margens. Cruel grito tradicional da gaivota,
no ponto onde adeja e pesca. Cada sentimento
acumula demasiadas referências para uma respiração.

Fiama Hasse Pais Brandão (1938-2007)

Postais de Sintra – Graffiti January 20, 2007

Posted by António Branco Almeida in Fotografia, Postais de Portugal.
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Ligações perigosas January 19, 2007

Posted by António Branco Almeida in Uncategorized.
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O melhor tributo a um músico January 16, 2007

Posted by António Branco Almeida in Jazz.
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É ouvir a sua obra.
Michael Brecker (1949 – 2007)

Michael Brecker Tenor Sax / Pat Metheny Guitars / Herbie Hancock Piano
Charlie Haden Bass / Jack Dejohnette Drums / With Special Guest: James Taylor vocals

Três anos de January 15, 2007

Posted by António Branco Almeida in Uncategorized.
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Postais de Portugal January 14, 2007

Posted by António Branco Almeida in Fotografia, Postais de Portugal.
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Estação da CP em Famalicão, 1912

Em 30 de Dezembro de 1873 foi constituída a “Companhia do Caminho de Ferro do Porto à Póvoa” que recebe o trespasse da concessão feita por decreto de 19 de Junho de 1873 a J. C. Temple Elliot e ao barão de Kesseler, de um caminho de ferro de via reduzida (Senhora da Hora / Póvoa do Varzim / Famalicão).

Estação da CP em Famalicão, 2006

Vila Nova de Famalicão tem oito séculos de história; Recebeu Foral de Dom Sancho I em1205 e foi elevada a cidade em 1985.

Do património histórico-cultural, destaque para as igrejas de Santa Eulália do Mosteiro de Arnoso, Igreja do Mosteiro de Landim e Igreja de Santiago de Antas.

Espalhados pelo concelho existem vestígios do período do Cobre (a mamoa de Vermoim), da Idade do Ferro (os castros nos cimo dos montes) e da ocupação romana (vários marcos miliários e a Villa Romana).

Das muitas casas solarengas dispersas pelo concelho, a que acolheu Camilo Castelo Branco em S. Miguel de Ceide (1864 e 1890), ficou tristemente ligada ao concelho pelo suicídio do escritor no primeiro dia de Junho de 1890, já cego e desesperado. A casa oitocentista que habitava foi recuperada e transformada em Museu em 1954.

Famalicão prepara-se para enriquecer o seu património cultural com a construção de um Centro de Estudos do Surrealismo, que receberá o espólio de Mário Cesariny, doado à Fundação Cupertino de Miranda.

Em Junho realizam-se as Festas Antoninas, célebres pelas rusgas populares e as fogueiras de Santo António.

Marriage à-la-mode January 12, 2007

Posted by António Branco Almeida in Pintura, Poesia.
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Why should a foolish marriage vow,
Which long ago was made,
Oblige us to each other now
When passion is decay’d?
We lov’d, and we lov’d, as long as we could,
Till our love was lov’d out in us both:
But our marriage is dead, when the pleasure is fled:
‘Twas pleasure first made it an oath.

If I have pleasures for a friend,
And farther love in store,
What wrong has he whose joys did end,
And who could give no more?
‘Tis a madness that he should be jealous of me,
Or that I should bar him of another:
For all we can gain is to give our selves pain,
When neither can hinder the other.

Neste poema, o dramaturgo John Dryden (1631-1700) utiliza a retórica para questionar os valores morais da sociedade, que obrigam duas pessoas a permanecerem juntas quando já não existe amor.
Para ver as restantes cinco obras série satírica Marriage à-la-mode de William Hogarth (1697-1764), clicar aqui.