Les Aventures de Tintin au blog du Luminescent December 31, 2004
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Mas?! Com mil milhões de macacos!
Como raio é que se vai para esse 2005?!
Bom, vamos lá!
- Vamos! Rápido! Esse tratante não pode estar longe!
- Direi mesmo mais: Ele não pode estar longe!

- Ali! Lá está ele!
- Não há dúvida, é ele!
Yuupiiie!! Eureka!!
Viva 2005!
comidinha boa! December 31, 2004
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A foto foi tirada dentro do restaurante hoje(ontem) ao almoço, e corresponde a uma das montras.
O Porto D`Abrigo fica ali ao Cais do Sodré, uns metros à frente do British Bar.
Desde sempre os mesmos empregados, camisa branca, guardanapo de pano na mão, serviço atencioso, comida caseira..
De entrada, uma Freirinha, que é uma espécie de empada de legumes com gambas; vai a gratinar e é servida numa concha de ostra.
As sopas são sempre muito boas.. e não passo sem sopinha à refeição!
O meu prato preferido é o pato com molho de azeitonas.
O pato é servido em pedaços, com a pele estaladiça.. o molho que cobre o pato é feito com as miudezas e pequenos pedaços de azeitonas pretas. Delicioso.
Acompanha com batata frita às rodelas finas, arroz de miúdos e esparregado.
O vinho da casa, um tinto de Trancoso – Beiras, é muito razoável e recomenda-se.
Preço entre 10 e 12 euros/pessoa.
Um dos antigos restaurantes da zona ribeirinha de Lisboa, ao qual é sempre um prazer voltar!
breve pensamento cosmológico.. December 30, 2004
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Os caminhos que cultivamos ao correr da vida fazem parte da natureza humana..
Em grande medida, é ao longo deste percurso que encontramos a nossa real natureza, os nossos princípios, o nosso equilíbrio.
Que aconteceria se os caminhos fossem diferentes? Não importa..
Não creio em caminhos pré-determinados, mas sim em cada um de nós como ponto de partida.. e de intersecção!
Hoje de manhã saí muito cedo,
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer…
Não sabia por caminho tomar
Mas o vento soprava forte, varria para um lado,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.
Assim tem sido sempre a minha vida, e
assim quero que possa ser sempre —
Vou onde o vento me leva e não me
Sinto pensar.
Alberto Caeiro, Poemas Inconjuntos
Resistência Activa, ou A Idade dos Porquês! December 28, 2004
Posted by António Branco Almeida in Música.add a comment
Houve uma altura em que comprava com frequência.. depois, a intermitência e consequente infidelidade justificava-se pela paixão pelo jazz..
Mais recentemente, talvez fruto de maior divulgação, voltei a dar alguma atenção a este ícone dum certo género de imprensa, que nos dá música há 20 anos!
Esta edição especial comemorativa dos 20 anos do Blitz é para guardar!
Um Euro bem investido!
Contém uma lista dos melhores álbuns portugueses de sempre, fruto de uma votação de músicos, editores, jornalistas..
..Onde encontramos, para além dos clássicos, os Ocaso Épico, Mler Ife Dada, Pop Dell´Arte, Ornatos Violeta! Que cena!
A selecção de textos que compõem as rubricas 20 anos em capas, twilight zone e 20 anos em revista.. são autênticas pérolas!
É muito interessante a oferta do Calendário para 2005, com fotos de 24 bandas portuguesas, que ao longo deste ano tiveram especial destaque, como os Great Lesbian Show, Blasted Mechanism – talvez uma das mais criativas bandas da actualidade, os Da Weasel, Fonzie, Rodrigo Leão, Hipnótica, Gomo, Pluto, Loto, Zen..
O Blitz está de parabéns!
Então não era uma passagem de ano e.. renas?! December 28, 2004
Posted by António Branco Almeida in Uncategorized.add a comment
Quero lá saber dos 10º negativos..
Vá-se lá saber porque me lembrei de.. Kuusamo, Lapónia – cerca de 800 km a norte de Helsínquia, mesmo junto à fronteira com a Rússia.
Durante a Segunda Guerra, conjuntamente com Paris e Londres, Helsínquia foi uma das três capitais que não foram ocupadas, embora tenham sofrido na pele o efeito das ideias avançadas do senhor Estaline.. mas isso é outra história!


Só esta região tem cerca de 4000 lagos.. como este!
Uma manhã inteira a ripar em cima dum snowmobile neste cenário..
É um acontecimento, sem dúvida!

Hotel Rantasipi Rukahovi, Ruka
E o hotel não pode estar melhor localizado! É só atravessar a rua e.. pistas com eles!
Nem me quero lembrar.. ainda estou para saber como saí de lá inteiro!
Onde Nascem Os Sonhos December 24, 2004
Posted by António Branco Almeida in Uncategorized.add a comment

A estrela
Eu caminhei na noite
Entre silêncio e frio
Só uma estrela secreta me guiava
Grandes perigos na noite me apareceram
Da minha estrela julguei que eu a julgara
Verdadeira sendo ela só reflexo
De uma cidade a néon enfeitada
A minha solidão me pareceu coroa
Sinal de perfeição em minha fronte
Mas vi quando no vento me humilhava
Que a coroa que eu levava era de um ferro
Tão pesado que toda me dobrava
Do frio das montanhas eu pensei
«Minha pureza me cerca e me rodeia»
Porém meu pensamento apodreceu
E a pureza das coisas cintilava
E eu vi que a limpidez não era eu
E a fraqueza da carne e a miragem do espírito
Em monstruosa voz se transformaram
Disse às pedras do monte que falassem
Mas elas como pedras se calaram
Sozinha me vi delirante e perdida
E uma estrela serena me espantava
E eu caminhei na noite minha sombra
De desmedidos gestos me cercava
Silêncio e medo
Nos confins desolados caminhavam
Então eu vi chegar ao meu encontro
Aqueles que uma estrela iluminava
E assim eles disseram: «Vem connosco
Se também vens seguindo aquela estrela»
Então soube que a estrela que eu seguia
Era real e não imaginada
Grandes noites redondas nos cercaram
Grandes brumas miragens nos mostraram
Grandes silêncios de ecos vagabundos
Em direcções distantes nos chamaram
E a sombra dos três homens sobre a terra
Ao lado dos meus passos caminhava
E eu espantada vi que aquela estrela
Para a cidade dos homens nos guiava
E a estrela do céu parou em cima
de uma rua sem cor e sem beleza
Onde a luz tinha a cor que tem a cinza
Longe do verde azul da natureza
Ali não vi as coisas que eu amava
Nem o brilho do sol nem o da água
Ao lado do hospital e da prisão
Entre o agiota e o templo profanado
Onde a rua é mais triste e mais sozinha
E onde tudo parece abandonado
Um lugar pela estrela foi marcado
Nesse lugar pensei: «Quanto deserto
Atravessei para encontrar aquilo
Que morava entre os homens e tão perto»
Sophia de Mello Breyner Andresen, Livro Sexto (1962)
Bloggers & Associados December 23, 2004
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Estamos no Natal, altura do ano em que o ritual da troca de prendas se confunde com os rituais religiosos!
Na impossibilidade de concretização do primeiro, uma vez que o segundo tem para mim valor meramente simbólico..
A todos os companheiros de viagem que têm tido a generosidade e simpatia de enriquecer o Luminescências, desejo aquilo que de bom quero para mim!
No Natal, não almejo uma rosa
nem desejo neve sobre a alegria de Maio.
Apraz-me em cada estação o que lhe pertence.
William Shakespeare
Se me esqueço de alguém nesta short list, desculpem qualquer coisinha!

Bairro Alto December 22, 2004
Posted by António Branco Almeida in Uncategorized.add a comment
Faz esta semana vinte anos que deixei o Bairro Alto.
Desde então, tenho assistido à progressiva recuperação deste bairro tão especial, cuja história se inicia no século XVI.
Foi talvez o primeiro onde as regras da arquitetura foram aplicadas de forma sistemática, numa lógica de uma cidade planeada, com ruas paralelas e, principalmente, perpendiculares ao rio, de modo a que os seus habitantes pudessem ter sol durante grande parte do dia..
É interessante ver durante a manhã o modo como as ruas estreitas aguardam calmamente que os raios de sol vão iluminando as varandas cheias de flores e roupa branca.

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Quando deixei o Bairro Alto, ainda havia “meninas” na zona próxima do Jardim S Pedro de Alcântara, as tascas tinham como clientes os residentes na zona e o estacionamento era um caos – sempre pensei que se um dia houvesse um incêndio, o bairro transformar-se-ia numa gigantesca tocha, pois é óbvio que nenhum carro de bombeiros conseguiria entrar..
Com o desfiar dos anos, fui assistindo à vinda de novos habitantes. O Frágil trouxe novas caras, e essas caras novos hábitos (como os graffiti nas paredes dos prédios)
Hoje, o bairro conta com mais de duas centenas de restaurantes, as tascas tornaram-se espaços in, albergam miúdos que comem sardinhas no pão e bebem garrafas de litro de cerveja.
As mercearias como a que havia no r/c do meu prédio deram lugar a lojas de roupa, de ténis, de material de bodyboard, de piercings, e por aí adiante.



No prédio em frente havia um alfarrabista.
Mais tarde instalou-se lá o mítico El Dorado.. e hoje é uma loja de roupa infantil.
É curioso olhar para a mescla de culturas existentes hoje em dia no Bairro Alto.. e verificar como um dos bairros históricos de Lisboa não perdeu a sua identidade…
E está muito mais bonito!
perspectivas e realidades.. do menino com olhos de gigante! December 21, 2004
Posted by António Branco Almeida in Uncategorized.add a comment
Aconteceu-me
Eu vinha de comprar fósforos
e uns olhos de mulher feita
olhos de menos idade que a sua
não deixavam acender-me o cigarro.
Eu era eureka para aqueles olhos.
Entre mim e ela passava gente como se não passasse
e ela não podia ficar parada
nem eu vê-la sumir-se.
Retive a sua silhueta
para não perder-me daqueles olhos que me levavam espetado
E eu tenho visto olhos !
Mas nenhuns que me vissem
nenhuns para quem eu fosse um achado existir
para quem eu lhes acertasse lá na sua ideia
olhos como agulhas de despertar
como íman de atrair-me vivo
olhos para mim!
Quando havia mais luz
a luz tornava-me quase real o seu corpo
e apagavam-se-me os seus olhos
o mistério suspenso por um cabelo
pelo hábito deste real injusto
tinha de pôr mais distância entre ela e mim
para acender outra vez aqueles olhos
que talvez não fossem como eu os vi
e ainda que o não fossem, que importa?
Vi o mistério!
Obrigado a ti mulher que não conheço.
Almada Negreiros





